AO RHEDOR DO CASTELO

sexta-feira, 12 de março de 2010

Pétala na Areia

Por vezes quero voar... deixando meu espirito suspenso em seu olhar.
Por vezes quero correr... sentindo o impulso magnetico da tua presença.
As vezes me pego nas nuvens como um passaro olhando para o mar, procurando em um vasto oceano um lugar firme para me aconchegar.
Outras vezes rasgo a terra com a furia e a violencia necessaria de uma semente, pronta para tocar o sol.
Nascendo e renascendo indiferente ao verao ou inverno de cada dia. Estou aqui!
Em teus olhos vejo mais do que luz e lagrimas, vejo um horizonte onde nao existe fim e posso apreciar em ti o ceu e o mar.
Nem todos podemos amar
Nem todos podem nos amar
Sendo o mundo de muita cor
Somos um feitos de magia e amor
Abrir os olhos é alcançar o ceu
Abrir o coração é transformar o horizonte em algo infinito.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A queda de Valquiria

Os cavalos de Valquiria estão partindo, ela ainda caida, tem a alma perdida. "Para onde vão meus soldados", ela sussurra, mais forte que ela, agora é a fadiga, que nunca antes em momento algum, poderia derrubar sequer um semi-deus. A neve ao redor tomou a cor de seu sangue e a forma de seu corpo, caido.
Nem nessa hora, no fim de tudo, ela deixa de olhar para longe, alem do céu.
Nem nessa hora, no fim do mundo, ela deixa de brilhar seus olhos, como sempre brilhou.
Em punho ainda a espada erguida como se levantasse contra o ceu.
Nas lembranças, portas que se batem atras das costas, afinal de contas para frente é caminho do futuro. A morte seria apenas um acontecimento condicionado pela casualidade, ou o destino final?
As sompras de alguns passaros agora passam ao lado, mesmo entre o corpo caido e uma rocha.
Quantos deuses eu transformei, aqueles que vorazmente lançaram seus gritos loucos de guerra por esse bosque.
Quantos semi-deuses eu levei aos pes daquele que deu um olho para ver e ergueu-se com os pes para os ceus.
Cada peça faz a sua parte, uma porta feita pra fechar e abrir, uma ponte para atravessar!
Cada objeto tem claramente um nivel maximo de utilidade, uma torre para barricar, um cavalo para voar.
Negros cabelos que ainda resistem a brancura da neve humida, seu corpo ainda brilha como um raio durante o luar.
Sereno o vento em Rhedor é apenas outro condição que o destino coloca, sem que deixe sequer parar.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Sétima

Sim, felicidade, eu lembro bem deste estado solido onde eu podia tocar, e ao mesmo tempo desaparecia, nao como areia deslizando entre meus dedos, nao como uma lua por detras de mais uma nuvem passageira. Mas sim como algo que deixa toda a ciencia vasculhando calculos fisicos e quimicos, e toda a religiao colocando toda a culpa deste belo acontecimento em mãos divinas.
Sim, felicidade, eu lembro bem de tocar seu rosto, ainda molhado em lagrimas, e ver uma luz que estranhamente preenchia o meu interior, vindo de teus olhos. Vejo em teus olhos mais dos que estes dois intrigantes pontos negros, como se mil estrelas e cometas corressem a uma velocidade tao grande que gerassem esta luz. Hipnotizando tudo o que sou.
Sim, felicidade, eu nao me esqueço de tocar sorrisos, como quem seguara uma xavena de chá em tempo de clima frio! Quentes palavras que de forma tão tranquila e suave saem da tua boca, derretendo aquela velha armadura que me vestia e me protegia de lanças e espadas. Sim, um fraco cavaleiro rendido pela euforia??? Então se simples memoria em meu ser de seu ser, me faz ser um ser mais feliz, teoricamente sou um sol onde ao meu redor gravita felicidade.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Semi-aberta

É como abrir uma porta, semi-aberta, onde uma luz tenue vinda de uma lua distante na janela faz brilhar insignificantes objetos que possuem uma tal importancia em cima da mesa que dali nao sao movidos. Como quem abraça um livro depois de ler, ou sente o cheiro forte num lenço de alguem que voltou a desaparecer... A distante lua ilumina montanhas distantes, meus sonhos tao proximos de ti mas distantes de mim... Algumas nuvens razas suavemente acarinham a lua, e vão... Talves aquela luz esteja a cair em cima de uma semente, no parapeito da janela minhas mãos humidas deixam marcas na poeira do dia a dia, a mesma poeira que mesmo espalhada pela sala consegue esconder se desta tenue luz. Meus olhos se fecham e é como abrir um livro de recordaçoes onde eu mergulho e num mar onde posso me afundar. As cores tornam se solidas e a forma das sombras forma tudo aquilo que esta distante de ti. Entre a porta semi-aberta uma foto envelhecida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Na Sétima

Caido entre dois estados de sono diferentes, vejo seu rosto.

Dorme, dorme! você diz.

Somente na força do teu olhar consegui entender o quanto

Na Vazia Sexta Porta

Vazias estão as garrafas, em cacos.
Mais uma porta sem cor nem decoração.
Nos cantos cheios de solidão a paz e o desespero convivem como dois otimos amigos.
Não passamos disso.
Apesar do tempo correr veloz e nossas vozes ecoarem dentro de nossas proprias mentes, ninguem precisa nos ouvir.
No tecto, a madeira podre ainda suportam algumas estrelas, pendentes num fio fino de esperanças, enquanto em cacos sob meus pes algumas ainda estalam.
Da janela avisto o nevoeiro, nem céu, nem horizonte. Faltam poucos centimetros para o salto. De outra arvore não se sentem nem pressão nem preocupação naquela andorinha.
Um frio indiferente percorre minha espinha, algo que se torna impossivel de se ver.
E mesmo que fosse sólido você não conseguiria entender.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Quinta Porta - No Doce Abraço da Solidão

Sonhos foram eles que invadiram meu castelo, quando tudo estava calmo e enquanto todo o mundo, que nele existia, estava distraido. Por vezes eram semeadas sementes num belo jardim, por outras haviam noites de festa com musica e fogueira ao luar. Por dentro dessa imensa muralha tudo esta calmo e existia tal como manda o quotidiano. Sonhos, vinham dos céus de todas as direções. Cresciam onde não havia espaço para semente, escorriam onde nem água surgia. Sonhos alados, pareciam nadar no ar, numa dança deslumbrante. Ninguém consegue resistir, tanto que meu mundo admirou se não só por surpresa, nem só por beleza. Brotavam flores no céu de nuvens, e borboletas razavam por todo o lado. Pequenos fogos de artificio surgiam sem mais nem menos em cantos escuros. Sozinho, meu castelo pode apreciar aquilo que era exibido. E não só, todo o meu mundo podia observar. Tinha dias que chovia petalas de rosas e no minuto a seguir o sol cegava toda a escuridão. Árvores cresciam, eram árvores de gelo, nas quais brotavam frutos. Laranjas, limões e até amora ao cair no solo transformavam se em pequenas bolas de fogo. Não queimava nem ardia! Ao olhar para o horizonte numa dessas vezes podia ver o sol a correr veloz de um lado para outro. Num nasce e renasce desenfreiado enquanto a lua serena apreciava estatica todo o movimento. Sonhos, agora sim, percebo a dimensão da sua existência, sendo ele parte da solidão, da mesma forma que uma flor possui petalas, e o céu nuvens. Então recebo abraços, beijos, sorrisos e distração, transformados em ilusões, onde a solidão me abraça para não perder a emoção.